“Em time que está ganhando, não se mexe”. A máxima do futebol é perfeitamente aplicável ao universo da moda. Com uma diferença, quiçá: aqui, os clássicos atemporais se reinventam, ganham novas referências, modelagens e informações e, assim, se perpetuam nas sociedades, culturas e no tempo. Listamos aqui algumas tendências que nunca morrem e, pelo contrário, ganham cada vez mais força.
De Ziggy Stardust, alter ego de David Bowie, em 1972, à modelo Ella Emhoff (enteada de Kamala Harris) na passarela de Proenza Schouler em 2021. Ou de Patti Smith nos anos oitenta a Lil Nas X, Barbie Ferreira ou Gigi Hadid em 2022, o mullet, esse corte que consiste em uma franja curta, laterais ainda mais curtas e volume e comprimento na parte de trás do cabelo, não morre. O estilo que incorpora o ditado “business in the front, party in the back” virou um símbolo da comunidade queer entre as décadas de 1970 e 1980 e, desde então, reparece em desfiles de moda e editoriais ao longo dos anos (a atriz Scarlett Johansson causou frisson ao exibir o corte em 2003, por exemplo). Este ano, o corte que serve para expressar desde uma mera questão estética até afinidades políticas, de música, moda ou reivindicação de identidade tem ganhado mais espaço graças ao TikTok, onde o desafio #oneminutemullet (mullet em um minuto), em que os usuários cortam o próprio cabelo com um simples gesto e (quase sempre) tesoura de cozinha, já acumula mais de 140 milhões de visualizações.
Com uma origem que remonta ao Egito e à Grécia, onde era usado por guerreiros –o corte lembra um pouco um capacete–, que aproveitavam a visibilidade proporcionada pela franja curta e a proteção do sol sobre a nuca e o pescoço dada pelas mechas mais longas, o mullet foi cunhado pelos Beastie Boys em 1994, com a música Mullet Head. Este ano, o Pinterest incluiu a tendência como uma das mais interessantes entre a geração Z e as buscas pelo termo na plataforma aumentaram 190% em relação a 2021.
Ele foi a primeira tendência da quarentena causada pela pandemia de Covid-19 e chegou às passarelas de alta costura. Ao longo dos anos, o tie dye sempre reapareceu nos desfiles e na moda vista nas ruas e, desde 2020, parece ter se consolidado como uma tendência atemporal. Com origens que remontam às técnicas tradicionais de tingimento de cores usadas há séculos em países como Índia, Japão, Indonésia e Peru, o estilo tornou-se mainstream graças ao movimento hippie, nos anos sessenta e setenta, como símbolo da alegria, diversão e amor. Significando literalmente “torcer e tingir”, o potencial faça você mesmo do tie dye foi um dos motivos que o fizeram ganhar força no confinamento, além da mensagem de esperança associada aos padrões orgânicos e coloridos da estamparia. Não demorou para que as passarelas resolvessem incorporar de vez a singularidade desse design orgânico: Dior e Givenchy incluíram a técnica em suas coleções de Alta Costura, e nomes como Stella McCartney e Proenza Schouler têm mostrado que o tie dye tem sido uma grande inspiração em seus desfiles, desde listras ombré em tons mais neutros até explosões de cores.
O vestidinho preto (o famoso little black dress) pode ter sido introduzido ao universo da moda por Coco Chanel, mas foi Audrey Hepburn quem imortalizou a peça com o modelo Givenchy usado pela atriz na cena de abertura de Bonequinha de Luxo. Da Alta Costura às coleções de departamento que encantaram estrelas como Beyoncé (em 2014, ela usou um modelo curto de lantejoulas da Topshop num evento), a peça que pode ser representada em diferentes cortes, comprimentos, caimentos e texturas transita bem das telas de cinema e passarelas de moda até o street style. E é justamente essa versatilidade que faz do vestidinho (ou vestidão) preto uma peça eterna. Não à toa, o minivestido de veludo usado pela princesa Diana em 1994 é um de seus looks mais lembrados até hoje. Este ano, a tendência atemporal foi a escolha de diversas celebridades, como Izabel Goulart, Stella Maxwell ou Bella Hadid, no tapete vermelho do Festival de Cannes.
Um clássico do universo fashionista, a alfaiataria sempre ganhou releituras e versões. Nos anos 1990, graças a nomes como Alexander McQueen e Martin Margiela, o glamour das peças de tecidos nobres e cortes retos bem marcados começou a se misturar com a informação de moda que vem das ruas, fosse o jeans ou a logomania. Hoje, esse toque de modernidade tirou oficialmente a alfaiataria dos escritórios e, com modelagens que vão do oversized ao acinturado, tornou-se uma tendência imprescindível nas ruas de Nova York, Paris ou São Paulo.
Não foi só o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em muitos espaços públicos que fez com que os lábios vermelhos voltassem a aparecer cada vez mais nas passarelas, campanhas publicitárias e redes sociais. Um clássico da maquiagem que, graças a divas como Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, tornou-se sinônimo de poder e sensualidade, o batom vermelho sempre esteve historicamente associado a momentos de crise social: na Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considerou o item como um “bem de necessidade básica” argumentando que seu uso “levantava a moral da população”. Em tempos pandêmicos, o produto reivindicou, mais uma vez, seu potencial estético e psicológico, ganhando releituras, desde novas tonalidades até diferentes formas de usá-lo, como por exemplo, na pintura de um único lábio ou com aplicação difusa. 
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